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Paramontanhismo

Voando no Morro do Araçatuba


Colunista:

O morro do Araçatuba localiza-se na Serra da Papanduva, quase na divisa entre os estados do Paraná e Santa Catarina. É um local muito bonito, onde a caminhada desenvolve-se maiormente em verdejantes campos de altitude.

Era nosso costume subir aquelas trilhas sempre no período noturno, em parte para escapar do sol, que castiga muito por ali, uma vez que a trilha praticamente não possui pontos onde se esconder do nosso astro rei, e também pela terrível falta de tempo, que acaba nos castigando ainda mais que o sol. Entretanto, agora o tempo era farto, e o sol de inverno aquecia levemente um dos dias mais frios do ano, que deixou a caminhada prazerosa.

Nosso objetivo era decolar da montanha e, como não encontramos alguém que já tivesse voado por lá, tivemos que dedicar parte do tempo para pesquisar o local para pouso, a melhor rota e o melhor vento.

Obviamente, nós temos hoje uma ferramenta poderosa, que auxilia muito: O Google Earth! Por lá, além de possibilitar uma pré análise dos possíveis campos para pouso, já havíamos identificado o melhor vento - que pelo menos na teoria seria no quadrante Norte - Oeste, sendo que do cume, o vento noroeste seria perfeito. Sabendo disso, aguardamos as condições ideais e partimos rumo a montanha.

Chegando no sítio do falecido Sr. Amadeu, já pudemos identificar os melhores locais para pouso, e os respectivos quadrantes de vento. Logo partimos para o início da trilha, que ainda demonstrava alguns pequenos rastros da última Maratona dos Perdidos.

É engraçado como nossa ótica muda conforme variamos nosso foco para o esporte que estamos praticando com mais veemência. Antes, subia aquele morro vislumbrado com os blocos de rocha, que poderiam proporcionar horas e horas de boulder e pequenas vias para a escalada. Desta vez olhava os mesmos aglomerados rochosos, porém acreditando que poderiam proporcionar horas e horas de termais potentes...

Chegando ao topo, a indecisão entre o melhor local para a decolagem. Largávamos a mochila no melhor local e subíamos uma pequena crista acreditando que não encontraríamos outro melhor. E repetimos esse procedimento algumas vezes, até o ponto mais alto desta, que se mostrou um excelente local para a tão sonhada decolagem.

Abrimos os parapente, aprontamos o equipamento e aguardamos longo período, sempre com inúmeras análises de que aquela nuvem gigantesca que cobria de sombras toda a base da montanha iria passar. Esta, como se zombasse de nossas previsões, parecia ir e logo voltava... Paciência parecia ser a bola da vez até que o

Rafael me chamou atenção para algo estranho:
"_Está vendo aquelas nuvens no vale à direita? Parecem que estão vindo do leste..."


E estavam mesmo. Em nosso frente, um céu meio encoberto, com uma decolagem de vento muito fraco em meio às núvens. Vindo de trás, um terrível vento leste que nos faria descer a montanha com as mochilas nas costas...

"_Vamos decolar é já!" Exclamei.

E assim que percebemos um pequeno aumento do vento, que até aquele instante estava praticamente parado, decolamos quase que juntos, para um autêntico "prego", que para nosso entendimento estava mais para uma tranquila descida da montanha...

Foi um voo curto, apenas 12 minutos... Mas valeu muito a pena. Conhecíamos uma nova rampa, muito boa para aqueles que não ligam de caminhar 2 horas com o parapente nas costas, que provavelmente ainda nos irá proporcionar excelentes voos e que oferece dezenas de pousos seguros!

Confira o vídeo:




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