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Série Extinções

Amor à Vida


Colunista:

Retorno a Galápagos, local de meu comentário anterior. Nele escrevi sobre uma espécie que foi extinta a partir da morte de seu último representante, mantido em cativeiro por quase meio século. Descrevo agora outras mortes, de nenhuma forma naturais, que acontecem com várias das espécies nada turísticas do arquipélago.

 
Em Galápagos, os ovos das tartarugas são incubados na Estação Darwin, para protegê-los dos predadores. Dentre os animais mais nocivos ao meio ambiente estão as cabras, conhecidas desde antes de Darwin. Em Isabela, ilha que abriga o maior vulcão do arquipélago, as fêmeas são atraídas pelo macho e, ao saírem no campo limpo, são abatidas por um atirador que as sobrevoa de helicóptero. Num bom dia de caça, trezentas delas podem ser mortas (reproduzi aqui um relato oral).
 
Mas, na pequena Ilha de Santiago, inversamente, fêmeas são impregnadas por hormônios capazes de atrair os machos. Estes são então dizimados por atiradores, alertados pelos sinais de rádio das coleiras nelas colocadas. Elas são evidentemente preservadas para o próximo morticínio. Em Santiago são ainda exterminados os macacos e na vizinha ilha de Bartolomé, os ratos.
 
Enquanto isso, devido ao pleno emprego e à vida segura, há quarenta anos a população de Galápagos cresce explosivamente entre 5 e 6% ao ano – eram 4 mil em meados da década de 1970 e não tardará a serem 40 mil, antes do fim desta década. Não tem havido muito controle quanto ao aumento da população ou à construção de moradias.
 
Por outro lado, a visitação a Galápagos dobra a cada dez anos. Lembro-me de um relato onde se comentava que saía um só barco de turistas por semana. O número de visitantes está se avizinhando de 200 mil anualmente (se é que não ultrapassou). Isto provavelmente representa quase três mil pessoas caminhando ou mergulhando pelo arquipélago a cada dia do ano (lá o turismo não é sazonal).
 
Como comparação, Fernando de Noronha – com área terrestre trezentas vezes menor e marinha mil vezes menor - é visitado por pouco mais de 50 mil turistas/ano. Mas nele residem apenas três mil pessoas. As mulheres grávidas só podem ter os filhos no continente. A estes é permitido residir na ilha, porém seus filhos devem emigrar, só retornando após o falecimento dos pais. 
 
Naturalmente, os humanos de Galápagos são considerados muito menos nocivos à natureza do que as cabras, os cães e os cavalos. Lembrei-me então daquele comentário que fez Leonardo da Vinci: Chegará o dia em que o homem conhecerá o íntimo dos animais. Neste dia, um crime cometido contra um animal será considerado como um crime cometido contra a humanidade.



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