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História

Agulha Bonatti, o menor cume da Serra dos Órgãos


Colunista:

Conquista da curiosa formação rochosa tem participação de um teresopolitano.

A Serra dos Órgãos é conhecida mundialmente por montanhas como o Dedo de Deus e a Agulha do Diabo, além de travessias como a Petrópolis x Teresópolis. Porém, há muito mais opções de caminhada, escalada e outras aventuras em ambientes naturais do que se imagina. São mais de 200 quilômetros de trilha e centenas de vias de escalada nessa unidade de conservação ambiental e formações rochosas curiosas como a Bonatti. A “agulhinha de pedra” fica a cerca de dois mil metros de altitude e é considerado o menor cume dessa cadeia de montanhas. Seu promontório é bastante estreito, onde só cabem três pessoas, no máximo, sentadas desconfortavelmente como em um cavalo. Mas o incomum e o desafio até lá instigaram sua conquista nos anos 60 e sua visitação, mesmo que pequena, até hoje.

A Bonatti fica nas proximidades da Pedra do Papudo, montanha que, vista de várias partes de Teresópolis, parece ser a mais alta da Serra dos Órgãos. Mas não é e fica vizinha ao real topo, a Pedra do Sino. Por isso, seu acesso é feito quase todo pela principal trilha do PARNASO. Anda-se pelo caminho do Sino até cerca de dez minutos depois da Cota 2000 (Uma espécie de mirante em uma curva, de frente para a Pedra da Cruz), entrando à direita após passar embaixo de uma grande árvore. Dali em diante, o caminho está bem batido e não há como se perder até o topo do Papudo.

Mas a trilha para a Bonatti não é tão óbvia. Pouco depois de entrar nessa “retinha” após sair do caminho Sino e seguir em direção ao Papudo, deve-se prestar atenção à direita, em um ponto onde se tem vista para o vale. Desse ponto, onde geralmente há uma picada na mata, são cerca de 15 minutos até a agulhinha.

ESCALADINHA FÁCIL

A escalada – que tem acesso contornando a pedra pela esquerda – tem início em um laça-grampo, onde, como o próprio nome diz, é necessário laçar com a corda dois grampos a aproximadamente três metros de altura. Subindo pela corda, são colocados dois estribos (uma espécie de escada feita com fitas), facilitando a saída do guia para o próximo passo e principalmente a vida de quem vem a seguir. Depois, uma pequena escalada em horizontal utilizando fendas para os pés e mãos e já se fica de frente para a parede uma parede mais em pé e coberta pelos liquens. No último lance, outro laça grampo até o cume – geralmente evita-se a escalada em livre nesse ponto por conta da grande cobertura escorregadia na rocha.

O cume tem aproximadamente dois mil metros de altitude e, como citado no início, deve ser feito em partes caso o grupo tenha mais que três pessoas... Bem fino e desconfortável. Mas se torna até prazeroso quando lembramos que se trata de um local pouquíssimo frequentado e cuja conquista tem a participação de um teresopolitano – Paulo Caminha, já falecido.

CONQUISTADORES E HISTÓRIA

A Bonatti foi conquistada em 1963 por Etzel Von Stockert, Claudio Castro e Paulo Caminha, pai do também montanhista teresopolitano Raphael Caminha. Os dois primeiros também conquistaram, em setembro do mesmo ano, a face sul do Dedo de Deus. Etzel participou da conquista do K2, no Corcovado, e chaminé Idalício (Prateleiras, Parque Nacional do Itatiaia), em 1962 e 1964.

Em 1961, Etzel, com Pellegrini e Raimundo Minchetti fizeram uma exploração na parede da Pedra do Sino, 24 anos da conquista da mais difícil via de escalada do Brasil, a Terra de Gigantes. Subiram cem metros por uma chaminé, mas desistiram, pois não tinham equipamentos para subir aquela parede. "Vimos que o sapato era maior que o nosso pé", informaram em relato da época. Claudio de Castro participou da conquista da Face Norte (artificial) da Caixa de Fósforos e da Via CERJ, em 1970, no Capacete, região de Salinas. Por lá, abriu ainda a Chaminé Pellegrini, no Pico Menor.

Morador de Vargem Grande, Paulo Caminha foi mais um representante de Teresópolis nas conquistas da Serra dos Órgãos. Ao lado dos colegas Claudio e Etzel teve o privilégio de desbravar o menor cume da nossa cadeia. "Junto com um deles, meu pai ajudou a fundar o clube de montanhismo 'Lagartos' da nossa cidade, nos anos 60. Mais tarde, nos anos 80, nasceu outro com o mesmo nome", conta Raphael, que também é escalador e guarda com orgulho um dos grampos de cor laranja, dos mesmos usados na conquista da Bonatti.

 




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