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Banheiro portátil

Como eliminar o problema de fezes nas montanhas: Um exemplo

Com o excesso de pessoas em algumas montanhas, a falta de estrutura em banheiros tem se tornado um grande problema, transformando locais de camping em verdadeiros campos minados. Como contornar este problema? O montanhista Maximo Kausch conta como resolveu o problema em suas expedições.

Fonte: Redação

Uma pergunta comum que leigos fazem aos montanhistas é sobre como eles vão ao banheiro nas montanhas. Mal sabem que para a maioria das pessoas o método é o natural. No entanto em alguns locais muito frequentadas isso tem se tornado um problema.
 
As montanhas muito populares, e sem infraestrutura, tem enfrentado muitos problemas com as fezes dos montanhistas. Nos acampamentos destas montanhas há locais que acabaram sendo destinados para o banheiro e viraram verdadeiros campos minados. As fezes geralmente congelam e ficam presentes por várias temporadas, gerando surpresas desagradáveis por mais de um ano.
 
No Aconcágua, a montanha mais frequentada dos Andes, a solução foi construir latrinas, estrutura que existe há dezenas de temporadas. Esta solução, no entanto, demanda muito trabalho e uma logística complicada, pois as latrinas, mesmo desmontada, exigem pelo menos duas mulas para serem carregadas, sendo uma estrutura para ser usada por um prazo mais largo.
 
Estas estruturas evoluíram para um sistema mais moderno. Hoje elas são metálicas e abaixo ficam tambores onde as fezes se concentram e são levadas para fora do parque em helicóptero, num sistema muito caro e pouco sustentável do ponto de vista ambiental.
 
Para resolver este problema e ao mesmo dar mais privacidade a seus clientes, o guia de montanha Maximo Kausch, dono da agência GenteDeMontanha, usou sua criatividade e com uma ideia simples criou a barraca banheiro. Ele aproveitou uma barraca velha que só tinha o vestíbulo, cortou o piso e assim ficou pronto seu banheiro portátil. Dentro dele há um pequeno assento feito de pedras, papel higiênico e rolos de saco plástico, onde os clientes fazem suas necessidades. Os sacos com as fezes ficam no lado de fora da barraca. Dependendo da altitude elas acabam congelando e são evacuadas da montanha mais tarde.
 
Maximo conta que tomou a iniciativa por que achava muito desagradável ter que conviver com os antigos banheiros a céu aberto. Em algumas montanhas que ele guia, como o Cerro Plata, ele toma a iniciativa de recolher as fezes deixadas no chão por outras pessoas e baixar junto com as de sua expedição. “Há pessoas tão sem noção que defecam nos locais de acampamento, aproveitando o muro de pedras que protegem as barracas do vento para não serem vistas fazendo o serviço” Diz.
 
Kausch, no entanto afirma que esta solução serve apenas na montanha e grupos grandes o suficiente que compense levar uma barraca a mais apenas para esta finalidade, como as expedições que ele guia. De acordo com ele, em pequenos grupos independentes e locais mais remotos vale mais a pena enterrar as fezes. “Ao levar fezes para a cidade, transformamos adubo em lixo, resolvemos o problema na montanha, mas mantemos o problema das cidades. É preciso pensar num todo e ver o que é melhor”. Conclui. 
 

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