Vandalismo no Dedo de Deus choca comunidade - AltaMontanha.com - Portal de Montanhismo, Escalada e Aventuras
Absurdo!

Vandalismo no Dedo de Deus choca comunidade

Pichações feitas em trechos da montanha símbolo da escalada no país causou revolta nas redes sociais.

Fonte: Marcello Medeiros - O Diário de Teresópolis

Na próxima quarta-feira, 08, serão comemorados os 103 anos da conquista do Dedo de Deus. Em 1912, um grupo de escaladores de Teresópolis, liderado por José Teixeira Guimarães, pisou no cume que era tido como “invencível” após a desistência de alpinistas europeus.
 
O feito foi considerado como o marco da prática desse esporte no país, sendo a montanha cobiçada não só por quem se interessa por escalada, mas pela maioria das pessoas que a admira do Mirante do Soberbo e sonha em, como Teixeira e seus amigos, chegar a quase 1.700 metros de altitude. Porém, apesar de tamanha importância histórica e beleza cênica, a formação rochosa não tem sido frequentada apenas por quem a respeita. Na última semana, um grupo de montanhistas locais registrou diversas pichações ao longo da subida até o Polegar, onde começa a escalada propriamente dita.
 
O flagrante foi postado nas redes sociais, causando revolta naqueles que respeitam e entendem a importância do Dedo de Deus e, mais do que isso, de se preservar o meio ambiente para garantir o futuro das nossas gerações. Em vários pontos rochosos, próximo a lances onde existem cabos de aço, as siglas indecifráveis para aqueles que não fazem parte do mundo criminoso, do vandalismo e falta de respeito que são as pichações – infelizmente já comuns nas edificações urbanas.
 
“É lamentável a gente saber que tem pessoas que perdem tempo fazendo isso. É triste encontrar pichações em um monumento natural símbolo de Teresópolis e do montanhismo brasileiro. Ficamos revoltados com a falta de consciência, de respeito. Quando se começa a praticar montanhismo, a primeira cosia que se aprende é respeitar a natureza, o que essas pessoas não fazem. Outra coisa que dói é saber que há funcionários do parque trabalhando para deixar a trilha em boas condições e vem pessoas que a usam mal e desrespeitam assim esse trabalho. Isso é muito triste, é muito chato. Espero que essas pessoas se sintam envergonhadas e parem com esse tipo de coisa”, relata o montanhista Victor Vieira, quem registrou os atos criminosos e postou na sua página pessoal no Facebook.
 
Para chegar aos pontos onde foram feitas as pichações, não é indispensável a utilização de material de escalada, como corda e cadeirinha. Após uma caminhada de cerca de um quilômetro, começam os lances em paredões rochosos, com pouca inclinação mas com muita umidade e vegetação, onde foram instalados cerca de 15 cabos de aço até as bases das escaladas. É possível subir e descer por eles, mesmo sem equipamento de segurança. Porém, em caso de um escorregão ou qualquer imprevisto, a pessoa pode levar um tombo até fatal (o que já aconteceu em outras regiões com locais parecidos).
 
Além disso, vale lembrar que para acessar a trilha do Dedo é necessário passar antes na portaria do Parque Nacional para preencher termo de compromisso e informando acesso ao local. No caso dos vândalos, muito provavelmente burlaram mais uma regra, correndo o risco de também responder por invasão à unidade de conservação ambiental. Há monitores ambientais nos acessos das quatro montanhas acessadas via estrada Rio-Teresópolis, Escalavrado, Dedo de Nossa Senhora, Dedo de Deus e Cabeça de Peixe.
 
Até um ano de cadeia
 
Sem dúvida, as pichações são as ações que mais deixam marcas de sujeira pela cidade. Essa prática configura ação criminosa através do artigo 65 da Lei dos Crimes Ambientais, número 9.605/98, existente desde 1998 e que estabelece punição de três meses a um ano de cadeia e pagamento de multa.
 
Para tentar diminuir a incidência do ato de vandalismo, é necessária a participação da população, que deve denunciar qualquer ato suspeito. Além disso, como se percebe, a grande maioria dos criminosos que usam latas de spray são menores de idade: Assim, os pais devem ter mais atenção do que seus filhos vêm fazendo e, sendo o caso, repreende-los para que a prática – que parece inocente, mas é bastante grave – não seja apenas o pontapé inicial para se começar uma vida delituosa. Os telefones para denúncias são o 190 e 2742-7755, não sendo necessário se identificar. No caso de flagrantes na área do Parnaso, informações podem ser passadas também ao 2152-1110.
 

Publicidade