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Parede Sudoeste do Shishapangma

Nova rota no Shishapangma em tempo recorde

A dupla formada pelo italiano Hervé Barmasse e o alemão David Goettler realizou uma façanha de cair o queixo longe dos holofotes.

Fonte: Redação

por Rodrigo Granzotto Peron
 
 
Muito tem se falado da incrível ascensão de Kilian Jornet no Everest, em meras 26 horas desde o campo-base tibetano em Rongbuk.
 
Por outro lado, uma escalada extremamente veloz, sem oxigênio engarrafado, por uma rota nova, em estilo alpino, e em uma parede tecnicamente desafiadora, foi realizada com pouco alarde no dia 21 de maio na Parede Sudoeste do Shishapangma (8027m).
 
Com efeito, a forte dupla formada pelo italiano Hervé Barmasse e o alemão David Goettler realizou uma façanha de cair o queixo longe dos holofotes.
 
Assim, eles abriram uma nova rota diretíssima na gigantesca Face Sudoeste do Shishapangma, à esquerda da tradicional rota britânica de 1982.
 
Para aproveitar uma curtíssima janela de bom tempo, de apenas 24 horas (segundo a meteorologia), eles resolveram rapidamente arremeter em direção ao cume. Partiram às 4:45h da madrugada do dia 21 e, escalando supervelozmente, atingiram o cimo às 17:45h, vencendo os 2.200 metros de desnível da parede em meras 13 horas, em estilo alpino e sem cilindros de oxigênio. 
 
Eles próprios se espantaram com a velocidade, como narrado por telefone por Barmasse: “Foi somente perto do cume, olhando o relógio, que percebemos o quão rápido havíamos escalado. Não fizemos isso para bater qualquer recorde, mas para testar nossos corpos e mentes e aproveitar a curta janela de bom tempo”.
 
De se notar que, apesar de terem vencido integralmente a parede Sudoeste, não pisaram exatamente no ponto mais alto, por questões de segurança. Barmasse mencionou que ficaram a cerca de 2 ou 3 metros do verdadeiro cume, pois a aresta estava coberta de gelo que se quebrava facilmente à medida em que eles iam caminhando, o que tornou os últimos metros em direção ao topo território proibido: “Gostaria de dizer que aqueles 2 ou 3 metros, que representavam apenas alguns passos a mais, teriam sido a diferença entre ficarmos vivos ou morrermos”.
 
Um feito extraordinário.
 
 
por Rodrigo Granzotto Peron
texto concluído em 23.05.2017
 

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