09/01/2005 - Mendoza - altitude 760m - temperatura 24 graus
Hoje foi o último dia de preparação. Dia de fechar todas as pendências e arrumar
as mochilas.
Começamos cedo, logo após uma tormenta que caiu aqui na cidade de madrugada.
Fomos até o parque General San Martin para retirar os "permisos" de escalada.
Deixamos lá 300 doletas cada um. Uma facada. Esse é o preço da alta temporada
para escalar o Aconcágua.
O dinheiro é revertido em manutenção de diversas reservas daqui da região.
Em seguida providenciamos os últimos equipamentos. Para isso, tivemos que
acordar o dono da loja porque é domingo e a loja estava fechada.
As botas duplas que alugamos mais parecem botas de astronauta. São grandes,
rígidas e não possuem articulação no tornozelo. Essas botas são específicas
para temperaturas muito baixas. Hoje em dia, é proibido subir o Aconcágua sem
elas. É regra do parque.
Além das botas, alugamos também sobre-luvas para proteger as mãos. Usaremos 3
luvas lá em cima. Uma luva sintética bem flexível por baixo, outra de fleece
mais grossa por cima e essa sobre-luvas por cima de todas. Não tem como não
usar, é muito frio lá em cima e venta muito. A sensação térmica cai bastante e
não queremos correr o risco de deixar alguns dedos na montanha.
As partes do nosso corpo que mais sentimos frio são os pés e as mãos, pois elas
são as extremidades. Então proteção nelas!
Após o almoço numa churrascaria (que almoço!) fomos ao supermercado providenciar
suprimento para os 16 dias. Chocolate, biscoitos, queijos, salames, macarrão,
arroz, legumes, sopas, temperos, salgados, frutas secas, enfim, um cardápio
gourmet. Serão 1200g de cardápio frio (sem uso de fogareiro) e 700g de cardápio
quente (com uso de fogareiro) que serão consumidos diariamente.
É muita comida, tivemos que usar uma marinheira inteira só para comida. São mais
ou menos 30 quilos. Agora está tudo separado e ensacado em rações diárias para
facilitar nossa vida.
Tudo o que está nas marinheiras, comida e equipamentos, está ensacado. Tem que
estar.
As marinheiras serão transportadas por mulas ate o acampamento base, e durante o
percurso as mulas atravessam várias corredeiras de gelo. Com isso, as
marinheiras podem ser molhadas e eventualmente perdidas, caso as mulas forem
arrastadas pela correnteza. Isso não é raro acontecer e a agência (responsável
pelas mulas) não se responsabiliza pelo material. Que beleza!
Amanhã acordaremos às 5 da madruga e pegaremos o ônibus para a entrada do
parque. Às 11 horas da manhã começaremos a caminhada de aproximação ao
acampamento base (Plaza de Mulas). Levaremos 3 dias para chegar lá. Daí para a
frente, serão
outros capítulos.
A partir de agora esperamos contar com o apoio do Pedrão lá de cima. Capricha aí
Pedrão!
Hasta Plaza de Mulas
Murilo e Rurik
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