15/01/05 - Descanso em Plaza de Mulas - Altitude 4300m - Temperatura 3 graus
negativos
Este foi o primeiro dia dedicado exclusivamente ao descanso. Estávamos
precisando de uma folga. Acordamos as 10:00 horas, arrumamos a bagunça que
estava dentro da barraca e fomos almoçar no Hotel Refugio. Como é bom variar
a comida! O almoço começou com sopa, depois um bife acebolado (fazia tempo que
não comíamos carne de verdade), sobremesa e suco a vontade. Para fechar, chá e
café. Mas o melhor de tudo é não precisar lavar as panelas.
Hoje o tempo esfriou um pouco. De dia 13 graus e a noite -3. O Hotel é um bom
lugar para gastar tempo. A sala, que também serve de refeitório, é toda
decorada de bandeiras, camisetas, adesivos, flâmulas, até sutians de
alpinistas de todo o mundo. Possui alguns sofás e um aquecedor para manter a
temperatura mais amena. Ali pode-se tomar suco a vontade e usar os banheiros
publicos (são um pouco melhor que os tambores de Plaza de Mulas). A estrutura
do hotel é bem robusta. Se baseia em pedra, madeira e ferro. Não há cimento nem
tijolos. Na parte de baixo, estão os banheiros, a sala maior, a cozinha, os
telefones públicos, uma mesa de tênis de mesa e uma área para os alpinistas
prepararem suas próprias refeições. No segundo andar, estão os quartos
privativos (cerca de 30 dólares por pessoa). E no último andar, estão os
quartos coletivos (cerca de 17 dólares por pessoa) cheios de beliche com
colchão e cobertor. Não há lençol nem travesseiro. O Hotel Refúgio oferece
bastante mordomia aqui, mas ainda não se compara ao conforto de um hotel comum.
É diferente!
A tarde encontramos mais brasileiros: o Rodrigo Rainere que estava guiando um
grupo de brasucas e o Carlos, um de seus clientes. Conversa vai e conversa
vem, acabamos jantando com eles no hotel. A noite escutamos no rádio deles que
alguém estava mau lá em cima. Havia um alpinista com congelamento severo nos
pés. Aqui no parque existe uma frequência de rádio dedicado a emergência. Se
alguém precisar, basta entrar nessa frequência e solicitar ajuda. Os guarda
parques são responsáveis por atender esses chamados, mas eveltualmente as
expedições mais próximas das vítimas acabam dando o primeiro suporte. No
decorrer da comunicação foi detalhado o procedimento de evacuação do alpinista
até o acampamento base. Esse é mais um fato que nos força a ficar atentos com
relação a montanha.
Hoje aproveitamos para obter a previsão meteorológica mais atual. Ligamos
para o aeroporto de Mendoza e constatamos que os próximos dias serão de tempo
bom. Sendo assim, amanhã deixaremos o acampamento base e seguiremos para Nido
de Condores. A partir daí não teremos mais as facilidades de banheiro e água
corrente. Teremos que levar sacos plásticos para resíduos orgânicos e derreter
gelo.
Hasta Pronto
Murilo e Rurik
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