16/01/05 - Mudança para Nido de Condores - Altitude 5400m - Temperatura 11
graus negativos
Hoje não teve descanso, acordamos cedo, desarmamos acampamento, guardamos
alguns equipos e suprimentos que seriam usados na volta, organizamos as mochilas
e saímos. Até agora, tudo está rolando conforme o planejado. Parte dos equipos e
suprimentos que serão consumidos nos acampamentos superiores já estão em Nido de
Condores, nosso consumo de gás e suprimentos está dentro do estimado, nossa
oxigenação sanguínea já nos permite avançar, a previsão do tempo é otimista, a
convivência entre nós 2 está tranquila, não houve nenhum stress e as decisões
estão sendo tomadas sob o aval de ambos de forma rápida. Parece que o mar esta
para peixe.
Falando em convivência, esse é um ponto muito importante na formação de uma
equipe. Uma equipe formada por elementos não introsados ou pouco familiarizados
está fadada ao insucesso. O ambiente hostil da montanha exige que a equipe
supere os problemas imprevistos, a privação de conforto e a demanda de trabalho
necessário por um periodo longo, caso contrário a expedição pode acabar sem nem
mesmo ter tentado o cume.
Levamos 6 horas para chegar a Nido de Condores. O frio aqui é mais intenso e
o vento exige usarmos casacos de pluma. Conversamos com um dos guarda parque
para saber a direção do vento e escolher o melhor lugar para armar a barraca.
Já sabiamos que o vento bate forte aqui, então caprichamos na ancoragem da
barraca. Pedras grandes e 30 metros de cordins extras foram usados. Aqui nao se
usa "especs" de barraca porque o chão é forrado de pedras.
Depois de levantado o acampamento, colocamos as mochilas dentro da barraca e
fomos coletar gelo para derreter. Usando as próprias panelas, enchemos um
saco com uns 15 kg de gelo raspados de uma geleira um pouco distante. As
geleiras mais distantes são melhores porque tem menos chance de estarem
contaminadas com sujeira, urina, etc. O processo de derretimento é lento e
exige
paciência. Levamos cerca de 20 minutos para derreter cada litro. Depois coamos a
água para eliminar pequenos grãos de pedras e outras impurezas. Por fim,
diluímos uma pìlula de cloro em cada litro para matar qualquer tipo de fungo e
bactéria. Estamos consumindo cerca de 10 litros de água por dia.
O por do Sol aqui é espetacular. No final da tarde a face norte do Aconcágua
fica avermelhada. As sombras das montanhas ao redor dão uma impressão de
grandeza e imensidão. A paisagem aqui é muito bonita. Quando o Sol se põe o frio
aumenta bastante. Dentro da barraca, durante o cozimento da janta, a temperatura
chegou a -5 graus. Lá fora a minima chegou a -11 graus.
Pela falta de oxigênio, um de nos (Rurik) teve dor de cabeça e acabou tomando
uma aspirina. Problema resolvido. A falta de oxigênio faz o cérebro inchar e
consequentemente a dor de cabeça ataca. Devemos tomar bastante líquido (pelo
menos 4 litros) e nos alimentarmos bem, pois o corpo precisa produzir mais
glóbulos vermelhos para suprimir a deficiência de oxigênio. Também não
adianta tomar somente água derretida. Ela não contém sais minerais e por isso
não é absorvida pelo corpo. É preciso diluir suco em pó ou chá para torná-la
boa
para consumo.
Depois da janta largamos as panelas sujas para fora e nos enfiamos nos sacos
de dormir junto com garrafas de água para não congelar.
Hasta Pronto
Murilo e Rurik
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