19/01/05 - Até que enfim Berlin - Altitude 5900m - Temperatura 15 graus
negativos
A madrugada de hoje foi a mais fria até agora. Não nevou nada, mas o frio foi
intenso. Dentro da barraca nossa estação barométrica Suunto X9 marcou 15
graus negativos. O interior da barraca parece um freezer, está todo
cristalizado.
Por outro lado, o céu está limpo e por isso hoje não haverá desculpas.
Derretemos gelo nas 3 primeiras horas, comemos umas besteiras, finalizamos
nossas mochilas e começamos a caminhada até Berlin. A neve fofa atrapalha a
subida. A trilha é identificada pelas pisadas daqueles que desceram de Berlin.
De qualquer forma, plotamos no GPS as principais coordenadas dessa via. Se por
algum motivo perdermos a visibilidade, basta ligar o aparelhinho e seguir a
seta.
Até Berlin levamos apenas 2 horas, um tanto rápido se comparado às outras
caminhadas. Porém o desgaste aqui é maior e a recuperação mais difícil.
Estamos andando a quase 6000 metros. O vento aqui é bem frio e temos que ficar
atentos com as queimaduras do Sol. O frio mascara as queimaduras do Sol que são
acentuadas pelo reflexo da neve. Só a noite é que percebemos o estrago. Mesmo
passando protetor de fator 50 duas vezes ao dia, sentimos o rosto quente
(tipo com ensolação). As partes mais queimadas é o nariz e os lábios.
Berlin é o menor dos acampamentos. Aqui cabem apenas umas 15 barracas.
Existem 3 refúgios de madeira que mais parecem casa de cachorro e fedem um
pouco. Só servem mesmo para emergências. Aqui venta bastante, bastante mesmo. A
massa de ar que atravessa os Andes bate direto aqui. Não há proteção alguma,
apenas algumas pedras mais salientes. A temperatura matinal chega a -20ºC
facilmente. Só acampa aqui quem está pronto para tentar o cume. Não vale a pena
ficar aqui apenas para aclimatar.
Gastamos apenas 30 minutos aqui em Berlin. Colocamos os equipos na marinheira
e a colocamos atrás de umas pedras. A dor de cabeça ataca novamente e decidimos
descer. O tempo fecha e começa a nevar novamente. Será que o tempo não vai
firmar?
Recebemos mais doações de comida. Hoje a janta foi bruta: arroz, bacon,
cenoura, queijo, purê de batata, mistura austríaca (não deu para identificar
muito bem o conteúdo) e suco de uva. Foi a janta mais volumosa que comemos até
agora. Tivemos até a visita do argentino Fernando (gente boa) de Córdoba
durante a janta. Fazer amizade aqui é muito fácil.
Amanhã vamos com tudo para Berlin, pronto para a investida final. Contamos
com o bom tempo.
Hasta luego
Murilo e Rurik
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