David Lama no pódio do Mundial da China este ano
O Cerro Torre
A equipe de Maestri em 1970 e seu compressor
As vias do Cerro Torre
O Cerro Torre é uma montanha que fascina qualquer um. Seu nome já sugere o que ela é: Uma enorme torre de granito situada nos confins da Patagônia, ao lado da maior geleira continental do mundo e sob influência de um clima instável e perigoso, onde em um dia pode fazer frio, calor, chover, nevar e ventar muito, muito mesmo!
David Lama, que tem 19 anos, é um escalador fora do comum, a começar por sua história. Seu pai é um guia nepalês, mas ele nasceu em meio aos Alpes austríacos, em Innsbruck, terra de sua mãe. Lama é atualmente o número 7 do ranking mundial da IFSC (Confederação Internacional de Escalada Esportiva), mas mostra que sua motivação está fora dos quatro cantos de um ginásio de escalada.
Sua intenção é escalar a famosa rota do 'Compressor', aberta em 1970 por Cesare Maestri. A História da conquista desta via é muito polêmica e ela começou em 1958, quando Maestri fez sua primeira ascensão na montanha, escalada esta muito criticada pelo mundo do montanhismo. Na ocasião estava Maestri e seu amigo, Toni Egger. A dupla sofreu um acidente na descida e Egger morreu, sendo arrastado por uma avalanche. Ninguém acreditou que Maestri havia chegado ao cume da montanha e isso o levou a voltar, anos mais tarde, para calar seus críticos.
Maestri chegou no cume em 1970, desta vez usando um método um tanto quanto pragmático, levando um 'compressor' e fixando centenas de proteções na montanha. Por conta disso, a rota Maestri é conhecida no mundo inteiro como 'Rota do Compressor', pois o aparelho está até hoje pendurado na montanha.
Até hoje ninguém conseguiu livrar a via do Compressor, nem mesmo ascender ela sem usar as proteções fixas. Quem conseguiu chegar mais perto deste objetivo foram os escaladores Zack Smith e Josh Wharton dos Estados Unidos em 2007. Wharton mais tarde disse à revista americana Climbing, que era possível fazer toda a escalada no Torre sem usar as proteções de Maestri, exceto os últimos 30 metros finais. Para isso, segundo Wharton, é preciso usar a rota original como referência, mas ficar zig zagueando-a a fim de encontrar saídas em livre, ou em artificial que não seja necessário o uso dos grampos fixos. Assim, a rota que tem cerca de 400 grampos, poderia ser feita apenas com 20.
A missão de David Lama é um tanto quanto audaciosa, pois ele não somente pretende não usar as proteções de Maestri, mas também quer fazer toda a escalada em livre!
Já é mais do que provado que Lama tem condições técnicas de guiar e livrar enfiadas com dificuldade extrema, agora fica a questão se é possível realizar tal missão em uma montanha grande e sujeita a grandes mudanças no tempo. Se ele conseguir, será uma grande façanha.
Com informações de Desnível
Veja mais: História do Montanhismo
A conquista do Cerro Torre.
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