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marumby@sossul.com.br

Morada do Espírito Mau
Setor principal (pedra do almoço) - Anhangava. Foto: Marcelo Brotto

       Para os índios tupis Anhangava quer dizer "morada do espírito mau". Para nós escaladores e amantes da natureza o Anhangava é a bandeira da incessante luta pela preservação da Serra do Mar. É primeira montanha que bateu de frente com os problemas trazidos pela expansão desordenada da região metropolitana de Curitiba. Suas encostas sucumbem à fome das mineradoras na extração do granito. Seus escaladores vivem sob a tensão dos assaltos a mão armada. Suas matas ainda ardem em queimadas e lixo ainda se acumula ao longo de suas trilhas. Haverá uma salvação?

       De certo modo sim. E o primeiro passo e mais importante já foi dado. Com a criação do Parque Estadual da Serra da Baitaca (Decreto Estadual nº 5.765 de 5 de junho de 2.002) a área de 3.053,21 hectares da serra homônima, abrangendo os municípios de Quatro Barras e Piraquara, tem agora garantia permanente de preservação. Mas ainda há muito a ser feito. O parque até o momento só existe no papel e pouco foi feito pelas autoridades competentes. Fora o policiamento que realiza rondas aos finais de semana a área ainda carece de infraestrutura e um bom plano de manejo.

       O Parque

       A Serra da Baitaca é formada por um conjunto de montanhas que segue o sentido norte-sul a partir de Quatro Barras na sua maior elevação, o Anhangava com 1.430 metros, seguido pelo Corvo, Pão de Loth e por elevações menores até a borda dos Mananciais da Serra já no município de Piraquara. A Serra marca a faixa de transição entre a Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica) e a Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucárias). Elas abrigam uma importante reserva de flora e fauna como, por exemplo, o Pinheiro-do-Paraná (Araucaria angustifolia) e o andorinhão-de-coleira-falha (Streptoprocne biscutata) facilmente avistado do alto do Anhangava. Além da floresta montana que vai até 1.200 metros de altitude, encontramos acima desta cota a floresta altomontana caracterizada por árvores de pequeno porte e os refúgios vegetacionais sobre os afloramentos rochosos caracterizado por bromélias, orquídeas, cactus, liquens e musgos. Em suas encostas nascem as águas de importantes bacias hidrográficas como a do Capivari, Ipiranga e Iguaçu, essenciais para o abastecimento da capital e região metropolitana. Atravessando o parque de leste para oeste o Caminho colonial do Itupava, bem como a ferrovia Ctba-Pguá, guardam sobre seus sinuosos traçados a história da colonização do primeiro planalto paranaense. Antes mesmo disso os índios da região já utilizavam o Itupava como via de acesso ao litoral. Hoje, sobre seu calçamento original, caminham mochileiros que descem a Serra rumo a cachoeira Véu de Noiva, ao Marumbi ou ao rio Nundiaquara em Porto de Cima. Já o Anhangava guarda como principal característica seus paredões repletos de vias de escalada de todos os graus de dificuldade, denotando sua inegável vocação para campo escola de escalada.

Casa do Ipiranga em 1996. Foto: Luiz Fernando Ribeiro
Casa do Ipiranga, fotografada em 1996.
Foto: Luiz Fernando Ribeiro





Referências bibliográficas:
ZIPPIN NETO, Dálio; FRANZEN, Ronaldo. Morro do Anhangava (Guia de Escaladas em Rocha) - Curitiba: Marumby Editora, 2003



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