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A Serra do Capivari

Serra do Capivari vista da Serra do Ibitiraquire. Foto: Alexandre Pacheco dos Santos
Foto 1: Serra do Capivari vista da Serra do Ibitiraquire.
Alexandre Pacheco dos Santos.

Texto por Marcelo L. Brotto
Fotos por Alexandre P. dos Santos & M. L. Brotto
Publicado em 15 de novembro de 2008

       A Serra do Capivari é uma das três serras no Paraná onde a altitude máxima supera os 1600 metros. Além dela apenas a Serra de Araçatuba e do Ibitiraquire ultrapassam essa cota. O Capivari faz parte da linha orográfica que divide a planície litorânea do planalto interior, representando tipicamente uma serra marginal de borda de planalto (Maack, 1972). É limitada pela região montanhosa do vale do Ribeira ao Norte, pelo planalto da bacia do rio Capivari a Oeste, pela planície do rio Cachoeira a Leste e ao Sul pela Serra do Ibitiraquire. A Serra do Capivari encerra no seu extremo Norte, portanto, a extensa linha formada pelas principais montanhas do Paraná.

       Geograficamente o Capivari é separado do Ibitiraquire por uma “selada” estreita, embora o alinhamento dos cumes sugira a ligação entre as serras (Foto 1). Outra semelhança se refere ao ângulo de inclinação da paleosuperfície que delineia a face ocidental dessas montanhas, indicando que toda a região esteve sob influência dos mesmos eventos de soerguimento escudo cristalino (Foto 2).

Foto: Alexandre P. dos Santos.
Foto 2: Capivari Médio e Capivari Mirim, vistos do Capivari Grande.
Alexandre P. dos Santos.

       São cinco as montanhas da Serra do Capivari: Capivari Grande (1621 m), Capivari Médio (1619 m), Capivari Mirim (1552 m), Capivari IV (1482 m) e Morro da Pedra (1321 m). As duas maiores tem sua porção superior coberta por floresta, enquanto que as outras por campo. Na vertente voltada para Guaraqueçaba a cobertura florestal é contínua, desde o alto até cerca de 500 metros de altitude, onde surgem as primeiras áreas desflorestadas de Bairro Alto em Antonina. Do lado oposto um halo de destruição se propagou como um câncer serra acima, influenciado da rodovia federal BR-116, dando a entender mais uma vez que se o objetivo é destruir primeiro deve-se asfaltar. Nessa vertente a vegetação da metade inferior foi consumida por incêndios consecutivos, resultando em uma drástica alteração da flora. O que antes era uma floresta grandiosa se tornou em um matagal dominado para espécies oportunistas e exóticas invasoras. Do original só restam cadáveres carbonizados de Imbuias e outras Canelas.

       O acesso a todas as montanhas se dá pelo lado ocidental, também por influência da rodovia. A trilha mais utilizada é a que leva ao Capivari Grande. Ela é a única com traçado definido graças ao fluxo periódico de excursionistas. Para alcançar as outras montanhas é imprescindível escolher bem o local de partida. A subida do Morro da Pedra permite uma ligação com o Capivari IV e o Capivari Médio pode ser alcançado a partir do Capivari Mirim. A subida de qualquer uma delas não é difícil, com exceção do C. Médio. Entretanto, há de se tomar cuidado com a greta próxima ao Capivari IV e também com as plantas espinescentes, muito comuns no interior da floresta. Se há uma coisa que não deve ser feita é a descida pelo face Sudeste da serra.

Foto: Marcelo L. Brotto
Foto 3: Serra do Capivari vista da represa.
Marcelo L. Brotto.

       Não existe um registro claro de quem foi o primeiro a subir essa Serra, entretanto há indícios de que Maack esteve por lá nos anos 40, enquanto estudava a geomorfologia da região. Em sua obra “Geografia Física do Estado do Paraná” constam duas fotos, uma tirada a partir do cume do Capivari Grande em direção a Serra do ibitiraquire e outra que mostra o planalto montanhoso da bacia do Capivari ainda inteiramente coberto pela Floresta Pluvial Atlântica. É possível que as outras montanhas tenham sido alcançadas apenas na década de 60 com a abertura da rodovia BR-116.


Imagens da Serra do Capivari


Foto: Alexandre Pacheco dos Santos Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Alexandre Pacheco dos Santos Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Marcelo L. Brotto

Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Marcelo L. Brotto

Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Marcelo L. Brotto Foto: Marcelo L. Brotto


Referência bibliográfica:
MAACK, R. A Serra do Mar no Estado do Paraná. Boletim Geográfico. Rio de Janeiro, 31(229): 1-178, jul./ago., 1972







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