|
O velho montanhista que tantas investidas nas culminâncias da vida, para quem se multiplicou visões incomuns aos mais urbanos dos seres, que de verdade se dedicou de corpo e alma a um só objetivo e filosofia de vida, onde tantas e tantas vezes estendeu a mão ao colega, mesmo que seja de última hora sem saber ao menos o seu nome, sem nenhum tipo de discriminação, má vontade ou falta de bens materiais. Pára e pensa na vida, nas vitórias e nas derrotas. Na experiência adquirida.
Conquistas e glórias na montanha são para sempre. São guardadas a sete chaves. É como um troféu na estante. Ele ficará lá no alto com o brilho verdadeiro do verdadeiro montanhista, jamais empoeirará e envelhecerá, pelo contrário, será sempre lembrado. E no tempo que se passa o velho e esquecido montanhistas guarda as suas forças e reflete sobre tudo. E ao equilibrar a balança como que um lance de 7º grau de micro agarras e um vento na orelha é dado o momento que sorrateiramente como uma onça pintada, volta ao seu lar com as forças rejuvenescidas como uma águia que parecia velha e acabada...
"A águia americana ao atingir uma certa idade considerada avançada, é desdenhada de seu bando por não ser mais bela e ágil como as mais novas. Com sua velha plumagem marcada pelo tempo, ensaia o que parece ser seu último vôo até uma toca bem alta em um penhasco ou árvore. Ao atingir este objetivo, acomodada em seu solitário aposento começa a se bicar em um ritual de sadomasoquismo, retirando toda sua velha plumagem até a última unidade. Depois de tanto esforço com o seu bico e garras, os mesmos caem dando a impressão de que a esquisita espécie ali morrerá em alguns dias.
Mas, eis que guardou forças e energia suficientes para passar um longo tempo sem comer e beber. Imóvel lá no topo, solitária e esquecida, consegue rejuvenescer e esperar o nascimento de uma nova plumagem, um novo e afiado bico e um par de garras em seus pés: Feito isso é dado o dia se sair do esconderijo. Já se passara varias e longas semanas sem um apetitoso salmão e cronologicamente como se um calendário a avisa, os apetitosos salmões borbulham rio acima em busca de águas mais frias. Aí então e com apenas três abanadas a velha águia se solta num vôo rasante planando direto até as águas límpidas das montanhas e com o seu olhar fixo em sua presa, acerta o alvo na primeira, pois, o que se aprende uma vez nunca mais esquece. É garantido o almoço de hoje no velho e maravilhoso mundo selvagem..."
por Alexandre Pacheco dos Santos
|