Serra da Graciosa
|

Por Marcelo L. Brotto
23 de janeiro de 2008
A Serra da Graciosa é um daqueles casos de amor que paranaense guarda pela natureza de seu estado. Intuitivamente quando se fala num paraíso no litoral logo se pensa na Ilha do Mel, se o lugar é o planalto interior a imagem que vêm são as araucárias, cachoeiras e os arenitos de Vila Velha, se for o Oeste ele logo imagina as cataratas do Iguaçu, mas se falarmos na Serra do Mar ele lembrará de um passeio pela estrada da Graciosa, com seus rios de água cristalina que correm pela exuberante Floresta Atlântica e, no fundo daquela imagem estará ela, uma muralha alçada, imponente e desafiadora, a Serra da Graciosa.
Definitivamente não há melhor explicação pra essa popularidade do que a presença da estrada da Graciosa. Pra quem ainda não conhece, trata-se de uma via que liga o planalto curitibano à planície litorânea, um desnível de cerca de 900 metros. Anteriormente caminho indígena, depois principal ligação para os colonizadores, hoje uma estrada sinuosa de mão dupla, pavimentada com paralelepípedos de granito. Na prática uma estrada parque, onde o viajante pode apreciar árvores carregadas de bromélias e respirar o ar fresco e perfumado da mata. Entre uma curva ou outra se vê uma cachoeira, um recanto ou uma montanha. Lugar onde o mais despretensioso viajante se vê imerso na natureza. Enfim, é esse contato com o belo que justifica sua popularidade.
Há, entretanto, um seleto grupo de pessoas que não se contentam em olhar a Serra lá de baixo. Para eles o que mais chama a atenção é justamente a montanha que ladeia a estrada. Curiosamente em um paredão próximo ao cume surge o número 7 cravado no granito que, justamente, nomeou a montanha, o Morro Sete.

O Parque
Entre as várias lendas que cercam o Morro Sete existe uma que, se não tivesse caráter de lei, poderia muito bem passar desapercebida pelo ecologista mais atento. O “causo” é o seguinte. Em 24 de outubro de 1990 o Estado do Paraná criou uma nova unidade de conservação chamada Parque Estadual da Graciosa, com míseros 1.189 hectares (Decreto Estadual 7.302). Teoricamente ela deve ter alguma coisa haver com a Serra homônima, mas, onde começa onde termina, ninguém sabe. Se alguém fiscaliza a área, só se for um fantasma, pois até hoje ninguém viu, e se há uma sede pra receber o visitante essa certamente foi tragada por alguma fenda no espaço-tempo. Brincadeiras a parte, a verdade é que o parque nunca existiu!
O meio natural
A Serra da Graciosa e a Serra da Farinha-seca formam uma única cumeada em sentido NE-SO que se inicia no Mãe Catira e termina no Balança. Na prática é um acidente geográfico que recebeu dois nomes, assim como a Serra do Marumbi e da Melança.
Farinha-seca é uma árvore da família das Leguminosas (Mimosaceae) e seu nome científico é Albizia polycephala.

Altitude das principais elevações:
» Mãe Catira – 1.457m
» Morro Sete – 1.339m
» Pequeno Polegar – 1.382m
» 00B – 1.438m
» Farina-seca – 1.372m
» Balança – 1.116m
Apesar da Graciosa estar localizada entre o Anhangava, Marumbi e Pico Paraná, sua visitação é insipiente. Sem dúvida, o fator determinante é a presença constante da mata nebular que muito dificulta a marcha entre caraguatás e troncos retorcidos. Aliado a isso a falta de uma extensão razoável de campo montano e a ausência de cumes ressaltados justificam o desinteresse do excursionista por essas montanhas. Por conseguinte, aqueles que já desafiaram seu meio natural lograram ilimitado prazer e satisfação ao vislumbrarem uma terra poucas vezes pisada pelo Homem.

O relato mais detalhado sobre a travessia da Serra da Graciosa é de autoria de Giancarlo e está publicado no endereço:
| montanhistas de cristo |
Imagens da Serra da Graciosa
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |