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Fotomontagem por Jorge T. Ota com fotos de Jorge e Marcelo.
Panorâmica a partir do Camapuã, durante o dilúvio da Páscoa de 2001.
Fotomontagem por Jorge T. Ota com fotos de Jorge e Marcelo.


A história se repete

Texto e fotos por Marcelo L. Brotto
Publicado em 23 de fevereiro de 2004

        Seria engraçado se não fosse lastimável. Mais uma vez o Atlântico vaporizado em forma de chuva esparramava sobre nossas montanhas. Alagava nossos planos. Desmoronava nossa coragem. Enfim, transformava nossa tão sonhada travessia em "lenda".

        O que poderíamos fazer senão cumprir com nossa obrigação. Esmaecer jamais! Assim, levamos o novo caderno de cume ao Agudo da Cotia. Para alguns esta também foi a primeira oportunidade de conhecer uma das montanhas mais cobiçadas de nossa Serra.

        Lá, tudo que víamos era o que a neblina nos permitia. Um campo de altitude belo e vigoroso. Do Agudo ao Ciririca sucede uma trilha maravilhosa. Campos e matas centenárias. Córregos confusos margeados por grandes caraguatás. E a paz que só aquele "fim de mundo" possui.

        De volta ao Ciririca comemoramos o sucesso da empreitada. Nada é fácil com um tempo daqueles. Sentimos apenas a falta de um bom visual para as fotos. Particularidades de um típico verão serrano.

        Manhã de segunda-feira, Carnaval. Enfim a chuva cessa após ininterruptas 36 horas. Catamos nossas coisas e demos no pé ladeira abaixo (escorregando, lógico!).

        Um caminho sensacional! Assim considero a trilha do Ciririca. Vales e rios há quantos você quiser. Panorâmicas quase nenhuma. Sinta-se enclausurado sob a floresta, entre vales e selas. Apenas siga o caminho. Ele levará as últimas árvores, ou seriam as primeiras? Parei sob a famosa "ceboleira". Aquela gigantesca árvore com dois troncos enormes. Pensei em quando ela chegou ali. Pensei por quanto tempo ela permanecerá lá. Outros montanhistas virão após eu partir, e ela ainda estará lá. E o Ciririca também. Sigo, pois tenho horário a cumprir. Encontro o sol já na estradinha. Finalmente o sol!!! Dali, caminhei até a rodovia chegando precisamente às 17:20h.

        Em pé, próximo à porta do corredor do ônibus da Princesa, olhava à minha esquerda. Lá longe, rompendo as nuvens, estavam o Camapuã e um pouco mais à frente o Arapongas. Olhei ao redor. Ali pessoas humildes carregavam consigo suas vidas igualmente humildes. Olhei novamente pela janela para onde as nuvens tocavam o chão. Eu conhecia aquele chão. De repente, uma sensação maravilhosa invadiu meu coração e comecei a rir. Ria de felicidade. Ria só agora, pois as intempéries do tempo haviam me tirado as forças para rir enquanto eu estava lá. Finalmente me dei conta do que acabara de fazer naqueles três últimos dias. Viver intensamente! O preço? Voltar molhado e fedorento pra casa.



Foto: Marcelo Brotto Foto: Marcelo Brotto Foto: Marcelo Brotto



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