Serra da Mantiqueira
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Por Marcelo L. Brotto
18 de setembro de 2004
Maciço cristalino de poucas matas e rara vida silvestre aos olhos do observador, a Serra Fina
é a denominação regional para a extensa cumeada que se eleva sobre o eixo da Serra da Mantiqueira, onde se unem os três Estados brasileiros de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Seu espigão principal corre de oeste para leste culminando em seu ponto mais alto, a Pedra da Mina com 2.797 metros de altitude, sendo esta a montanha mais alta do Estado paulista e a 4ª mais alta do Brasil.
À oeste pode-se observar a seqüência da Serra da Mantiqueira com destaque para o Pico Itaguaré e Marins
com 2.422 m.s.n.m. À leste ergue-se majestoso o Maciço do Itatiaia onde são facilmente observados o Morro do Couto, Prateleiras e Agulhas Negras
com 2.789 m.s.n.m., sendo este o ponto mais alto do Estado fluminense. À norte a Serra Fina decresce suavemente até atingir o mar de morros do Estado mineiro onde estão as cidades tidas como base para a ascensão a estas montanhas. A fronte sul, por sua vez, despenca vertiginosamente em cristas afiadas e grotas profundas morrendo na base do vale do Paraíba, Estado de São Paulo. Destaque para os paredões rochosos de centenas de metros de extensão que dão grande contraste com o vale mais de 2000 metros abaixo.
As montanhas da Serra Fina são ligadas umas as outras por uma seqüência de cristas de interessante formação. As elevações mais altas preferem o formato cônico ou piramidal apresentando cumes largos recobertos ou por rochas ou capins da mesma forma que suas encostas são cobertas por capins e taquaras entre rampões rochosos. Característica deste Maciço ígneo alcalino é a facilidade com que suas rochas se fraturam, resultando em muitas fissuras, lacas e pedras soltas, as quais são aproveitadas pelos excursionistas para marcar os caminhos. Próximos a Pedra da Mina, tanto à Oeste quanto à Leste, surgem platôs a cerca de 2.500 m.s.n.m. onde é possível encontrar água com facilidade. São os córregos Cachoeira Vermelha, Rio Claro e Rio Verde. O primeiro apresenta água com forte sabor de ferro enquanto que o último é o mais abundante.

As grandes altitudes conferem o rigor climático a região, principalmente nos meses de inverno quando as temperaturas decrescem a valores negativos durante a madrugada. A melhor visibilidade também se dá na mesma época, geralmente de abril a setembro.
A vegetação da Serra Fina caracteriza-se por formação de Floresta Atlântica nas primeiras centenas de metros de suas encostas e também nos vales mais profundos que adentram entre as grandes elevações. Observa-se também o aparecimento do Pinheiro-do-Paraná (Araucaria angustifolia) que recobre robusto as encostas beneficiando-se das baixas temperaturas impostas pela altitude. Interessa o sub-bosque ralo durante a estação seca denotando a falta de abundância de chuvas em comparação com a floresta mais próxima ao oceano. Destacam-se as bromeliáceas e orquidáceas em especial a Sophronitis coccinea, orquídea de pequena flor avermelhada e tom forte, própria da formação alto montana, florescendo principalmente no mês de setembro. Acima dos 2000 metros de altitude surgem os campos rupestres
cobertos basicamente por e plantas rasteiras, herbáceas e arbustivas, que se adaptam ao solo raso e seco, também vicejando sobre as rochas. Entre elas destacam-se a cabeça-de-negro (Cortaderia modesta) e capim-elefante (Cladium ensifolium) que ocupam grandes extensões do terreno lembrando a formação da savana africana. Estes podem chegar a atingir a altura de um homem. Bambus e taquaras são comuns onde o solo apresenta maior profundidade. Pequenas árvores aparecem apenas nos locais mais protegidos do vento, há exceção de uma espécie que viceja vigorosamente em meio aos campos, a Weinmania humilis, formando uma abóbada foliar verdejante mesmo em tempos de seca, não ultrapassando porém, os 3 metros de altura. Destaque para uma orquídea do gênero Oncidium que libera uma haste composta por pequenas flores amarelas a partir de um grande bulbo esférico.
A fauna não é vista facilmente com exceção das andorinhas. Pode-se notar, entretanto, a presença de pequenos roedores como também as fezes de mamíferos de pequeno porte. Ao observador mais atento surge a Melanophryniscus moreirae, uma perereca de ventre vermelho que não ultrapassa duas polegadas de comprimento, encontrada próxima aos acúmulos de água.
