Serra da Mantiqueira
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Por Marcelo L. Brotto
28 de julho de 2008
O vento, incansável vento que inventa a montanha, esculpi o fútil desejo pelo sabor da conquista. Varre o chão, como quem espera pela próxima pegada, por curiosidade de saber quem virá e quando virá. Este não é o solo da lua, é o caminho que leva à montanha esquecida. Acredite, é preciso desviar a rota, senão ao menos o olhar, pra saber o que deixará para trás. Mas, esse não é o seu sonho? O vento não costuma sussurrar duas vezes em seu ouvido um convite capaz de mudar sua história.
I close my eyes
Only for a moment,
And the moment's gone.
All my dreams,
Pass before my eyes, a curiousity.

Enquanto o encanto fraqueja, ela espera, por um retrato ou elogio. Montanha escultural, talhada em linhas sensuais, vai ao Paraíba vestir o verde da mata contra o chumbo e o ouro dos campos, pois sabe que sua beleza é sua força. Gigante que ousa riscar o céu e espelhar o sol, mesmo assim, desprezada e esquecida. Essa parece ser a sina de quem repousa ao lado de outras mais famosas. Destino cruel! Tão perto e ao mesmo tempo tão distante.
Dust in the wind,
All they are is dust in the wind.
Mas, há um segredo, evidentemente. Todas têm seu segredo, e ela tem o seu. Não resista! Deixa o vento te guiar através da terra, incógnita. Aguce os sentidos e respire um novo ar, acredite mais, então, a recompensa estará em suas mãos, diante dos seus olhos, tocando no seu coração. Não se esqueça, é a tarefa do vento dia após dia varrer a última pegada, a sua é não resistir ao primeiro convite.
Now, don't hang on,
Nothing lasts forever
But the earth and sky.
It slips away,
And all your money
Won't another minute buy.
Dust in the wind,
All we are is dust in the wind.
Dust in the wind,
Everything is dust in the wind.

Um pouco de apreensão quando a única companhia é a cautela. Desço entre blocos de rocha, agarrando-me a vegetação que outrora me levou ao Tupipiá, agora buscando o melhor caminho, tenho a direita o objetivo principal. Agarro-me a uma árvore e desço até um campo inclinado na sombra da montanha donde venho. Como uma criança, subo nos capins mais altos e tento mirar uma linha reta, pulo, caio, me levanto, subo, deixo as costas deitarem sobre a próxima moita, caio, levanto, escapo da sombra e chego à pedra que indica a direção. Venço mais alguns capins e sigo como quem sobe pelas rampas do Anhangava, eterna escola. A cada passo, a respiração ofegante, olho acima para onde as rochas limitam o céu, uma nova paisagem, um novo cume, enfim, de volta ao encontro do sonho.
And you run, because life is too short…diria Klaus Meine, quando a montanha convida e você, de coração aberto atende ao chamado, por um momento raro, por uma paisagem cara. And you run, because life is too short.

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