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Guia de Escalada em Rocha do Marumbi






A história do Marumbi por Nelson Penteado Alves (Farofa)




a venda no Clube Paranaense de Montanhismo


A História
Foto: Marcelo Brotto

       O montanhismo como conhecemos hoje teve início no século XIX, mais precisamente em 21 de agosto de 1879, quando Joaquim Olimpio de Miranda, liderando uma equipe de paranaenses, atingiu os 1539 metros do Conjunto Marumbi. Posteriormente o cume foi batizado de "Olimpo" em homenagem a seu conquistador e à morada dos deuses da mitologia grega. Esse fato marca o início do montanhismo no Brasil, pois pela primeira vez foi organizada uma expedição para subir uma montanha, com objetivo específico de desfrutar do belo panorama e vencer as dificuldades da escalada. Os demais participantes dessa conquista foram Bento Manuel Leão, Antonio Silva e Joaquim Messias.

       No ano seguinte, em 26 de agosto de 1880, Joaquim Olimpio de Miranda repete a façanha, acompanhado agora por Antonio Pereira da Silva, José Antonio Teixeira, João Ferreira Gomes, Pedro Viriato de Souza, e os Capitães José Ribeiro de Macedo e Antonio Ribeiro de Macedo. Deste último temos o seguinte relato:

       "Sempre chamou a attenção pela sua belleza e grande altura, a serra do Marumby, que se eleva garbosa na Cordilheira do Mar, a um kilometro a oeste d'esta villa Pôrto de Cima.
       Formado de diversos picos, que ao longe se confundem e parecem unidos, apresentando uma larga cumeada, - o Marumby -, com as suas mattas gigantescas na base com seu aspecto colossal, maravilha ao observador e fal-o contemplar com admiração a magnificência d'esta obra da natureza.
       Era pois natural o desejo que muitos nutriam de fazer a ascensão da referida montanha, para ver de perto as suas bellezas.
       Mas até ainda há pouco o Marumby era julgado inascessível. O povo chegara-o a considerar com um respeito supersticioso. A crença popular até revestiu-o de um prestigio sobrenatural, concedendo-lhe o poder de vedar o acesso a todo e qualquer que pretendesse attingir ao cume.
       Contavam-se d'elle lendas fabulosas: dizia-se que tinha no cume uma lagôa de ouro e que portanto era o depositário de immensas riquezas.
       Também dizia-se que desde que qualquer tentava subir era detido por um temporal que nunca deixava de desaguar-se por mais que o tempo estivesse bonançoso e firme.
       Dizia-se mais que os metaes existentes também impediam a ascensão, fazendo tão grande alarido quando qualquer se approximava que ninguém se atrevia a continuar a subir por mais temerário que fosse.
       Os homens, porém, de razão mais esclarecida, que não alimentavam esses erroneos conceitos, esbarravam com outra ordem de difficuldades. Alguns que fizeram tentativas mais serias para subir nunca encontravam a verdadeira vereda: chegavam a logares onde tinham de recuar, ou detidos por muitos rochedos a prumo, ou por precipicios e abysmos que não era possível transpor.
       Em agosto do anno passado, porém, os Srs. Joaquim Olympio de Miranda e Joaquim Antonio Coelho, dotados de vontade enérgica e perseverante, foram mais felizes do que os exploradores anteriores, conseguindo, cada um à frente de alguns homens, subir por lados differentes a dous pontos dos mais altos da montanha, não distantes ente si.
       Estava vencida a difficuldade, estava quebrado o encanto: em dous pincaros elevados do Marumby fluctuavam duas bandeiras!"


       Joaquim Olimpio, conhecido também por Carmeliano, guiou outras ascensões até sua morte em 1900. O ano de 1901 marca a primeira ascensão de uma mulher sendo Hercília Pinheiro Lima a autora desta façanha.

Conjunto Marumby

Expedição de 1902
Expedição de 1902. Arquivo: Daniel Nogarolli
Estes são os expedicionários da ocasião no ano de 1902, que escalaram o pico Marumby pela Face Leste.
Da esquerda para a direita.
Em pé:
Emílio Grotti, Alexandre José Soares Taveira, Bernardo D´oliveira Bittencurt, Olympio Trombini, João Gobbo (Timoneiro), Ewaldo Frederico Pettersen e Emílio Dala Stela.
Sentados:
Antonio Orreda, Vicente Luis de Oliveira, Manoel Antonio dos Santos e Doro Cauduro.
Deitado:
José Nogueira (chefe da expedição)

       Originalmente chamado de "Guarumbi" (montanha azul) pelos índios da região, o maciço vem atraindo milhares de amantes da natureza que assim como seu conquistador buscam apreciar as belezas da região e se possível, ver nosso Paraná até perder de vista.

Simbolismo dos nomes dos cumes:

Olimpo: era o anteriormente chamado Pico Marumbi, que teve o nome trocado para homenagear o Olímpio, seu conquistador;
Esfinge: nome dado porque, vista da Estação, representa o perfil de um rosto, de uma esfinge, que nada tem a ver com a famosa Esfinge egípcia;
Abrolhos: por lembrar a forma dos rochedos que afloram no oceano;
Torre dos Sinos: de inspiração cristã, refere-se a um setor do Conjunto, situado na parede sul do Desfiladeiro das Catedrais que representa ter estilo gótico, com cerca de 4m de largura e 300m de altura; observado do sentido leste para oeste era considerado como ideal para a construção das catedrais;
Ponta do Tigre: por parecer "um tigre em posição de salto";
Gigante: visto da Estação representa um "gigante adormecido".



Antiga construção da rede contendo o brasão da RFFSA. Ao fundo em primeiro plano destaca-se o Abrolhos com 1200 metros, conquistado em 7 de setembro de 1937. Foto: Alexandre Pacheco dos Santos Imagem corriqueira aos finais de semana quando os marumbinistas aguardam o trem que retorna à Curitiba. Foto: Alexandre Pacheco dos Santos
Via Enferrujada, conquistada na década de 40. Foto: Alexandre Pacheco dos Santos Estação do Marumbi. Foto: Alexandre Pacheco dos Santos

Referências bibliográficas:
PARANÁ. Secretaria de estado do Meio Ambiente. Plano de Manejo do Parque Estadual Pico do Marumbi. Curitiba: IAP, 1996.

STRUMINSKI, E. Parque Estadual Pico do Marumbi. Curitiba: UFPR, 2001.

TREVISAN, E. Ao Apito do Trem. Curitiba: RFFSA, 1986.



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