Serra do Marumbi

Serra do Capivari
Serra do Ibitiraquire
Serra da Graciosa
Serra da Baitaca
Serra do Marumbi
Serra da Prata
Serra de Araçatuba
Serra da Mantiqueira
Serra dos Órgãos
Em algum lugar...
Mares e montanhas
Iviturui Ambiental
Flora Altomontana


A História
O Parque
Dias de Marumbi
Imagens do Conjunto Marumbi I
A Queda De Um Mito
Lá Vai O Trem
Imagens do Conjunto Marumbi II

Dias de Marumbi
Marumbi sob a luz do luar. Foto: Marcelo Brotto

       Uma montanha imersa na escuridão. Uma floresta saciada de chuva. Uma pálida neblina sobre a Estação. Por vezes uma fina garoa ou então uma forte chuva. Assim é o Marumbi. Dias brilhantes durante o inverno. Dias nebulosos e tristes durante o verão.

       Era este o panorama que tínhamos em vista naquele 2 de janeiro. Sob o antigo prédio da Estação eu e o Aranha esperávamos pelo menor sinal de melhora. Nossa experiência, entretanto, nos dizia que não veríamos o sol tão cedo e isso evidentemente não nos agradava. Aqueles quatro dias de mau tempo haviam também nos tirado a paciência. A rotina nos deixara ansiosos e talvez até mal humorados.

       Mas do que poderíamos reclamar? Estávamos sob a bênção da majestosa Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica). Uma floresta úmida por natureza.

       Entramos esperançosos no quinto e último dia de nossa expedição. Sabíamos que as nossas chances estavam se esgotando. Jantamos tarde, à 1:15 h da madrugada. Fomos dormir às 2:00 h e até esse momento tudo permanecia nublado. Colocamos o despertador para às 4:00 h. Quando ele tocou, levantei e pude, então, reconhecer minha perseverança. Calcei a bota molhada e fria, algo absolutamente desagradável para quem se encontrava dentro de um saco de dormir. Saí e surpreendentemente vi estrelas entre a copa das árvores num céu absurdamente negro. Um milagre! Quase não acreditei. Um verdadeiro milagre!

       Com as lanternas de cabeça, partimos pela trilha noroeste rumo a Ponta do Tigre para depois seguirmos ao Olimpo.

       Na escuridão da madrugada a floresta entoa os sons dos animais de hábitos noturnicos. O ar é puro, fácil de respirar. A "pedra da marmelada" é menos assustadora na penumbra. Na canaleta o pequeno riacho verte volumoso em tempos de chuva. Do paredão da corrente a visão é esplêndida. Pequenas luzes acompanham o sinuoso traçado da Graciosa. No meio da Serra a Usina do Marumbi reluz com uma pérola. Um mar de nuvens plana sobre outro mar. É a baía de Antonina. Mais alto do que nós sobrevoam nuvens vindas do litoral. Acima delas o céu clareia. O sol está preste a emergir do Atlântico Sul. A mata alto-montana nos acompanhará daqui por diante. No vale dos perdidos um tucano qualquer ecoa seu canto. Bem a nossa frente uma massa colossal e escura aparece entre a neblina. É a Esfinge. As pedras molhadas são traiçoeiras. Lágrimas caem sobre nossas cabeças. Os paredões do vale choram copiosamente. Frio e vento assolam a Ponta do Tigre. É tudo muito pálido e triste. Dali, por entre arbustos floridos, sobre a crista do Gigante os paredões afilam-se. Subindo mais alto que as nuvens, em busca dos primeiros raios de sol, para afastar o frio ou até a morada dos deuses. Enfim, o Olimpo, 1.539 metros s.n.m. Ali as cortinas se abrem em breves momentos. Vemos Paranaguá, Ilha do Mel, Espigão do Feiticeiro, Ibitiraquire e Morro Sete. Venta forte no alto das Serras. Nuvens nascem e morrem ao redor dos cumes. Tudo é prateado entre a umidade que nos cerca. Buscamos a felicidade e a encontramos, portanto: - Feliz ano novo aqueles que a paz sabem onde encontrar! Felizes montanhas aqueles que sabem a chuva vencer!! Feliz retorno aqueles que a saudade daqui devem carregar!!!

       A trilha frontal se transformara em uma cascata. Correntes e grampos garantem a segurança na descida. Toda cautela é necessária. A montanha verte abundante criando novas cachoeiras onde antes não havia nada. O sol luta para brilhar entre as nuvens e iluminar a ferrovia, a Serra da Farinha Sêca e o Salto dos Macacos. A mata está densa. Bromélias e outras plantas mostram-se vigorosas. Pequenas frutas em muitas árvores surgem ao redor da trilha. É tempo de abundancia na floresta. A cachoeira dos marumbinistas e sua piscininha cor de ouro estão belas como sempre. Vamos sentir saudade desse lugar, pensamos.

       Então, até a próxima meu querido Marumbi!

por Marcelo Brotto
Curitiba, 10 de janeiro de 2004




i


v


i


t


u


r


u


i