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Rapidez: as vantagens para escalar a montanha

  • A velocidade com que se sobe uma montanha está sendo cada vez mais determinante tanto para a segurança quanto para realizar os desafios mais tradicionais, seja um bigwall, uma montanha clássica ou uma alta montanha no Himalaya ou nos Andes
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Atualizado 20/8/2007  11:18
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A velocidade com que se sobe uma montanha está sendo cada vez mais determinante tanto para a segurança quanto para realizar os desafios mais tradicionais, seja um bigwall, como o El Capitán, uma montanha clássica como o Eiger ou uma alta montanha no Himalaya ou nos Andes.

Embora usada com frequência, a palavra velocidade não é adequada. Um carro tem velocidade, que é constante em muitas situações. A palavra mais adequada seria “rapidez”.

No início, a escalada era utilizada só para enfrentar as maiores dificuldades da subida à montanha, quase sem importar o tempo que se aplicava na parede. Com o passar do tempo, conforme os escaladores foram se tornando mais habilidosos em técnicas e começaram a dispor de melhores equipamentos, a velocidade foi aumentando, mas ainda assim as escaladas velozes não eram bem vistas pelos alpinistas clássicos que estavam acostumados aos horários estabelecidos nas rotas clássicas já definidas.

Lionel Terray e Louis Lachenal foram muito criticados por fazer escaladas rápidas e foram inclusive acusados de serem um tanto suicidas, porém suas conquistas e seus várias cumes conseguidos em um só dia neste estilo eram somente o princípio porque logo este estilo começou a ser repetido. Na década de 1960, Reinhold Messner escalava grandes paredes com uma velocidade assombrosa e em 1974 ele e Peter Habeler escalaram a face norte do Eiger em um tempo recorde de 10 horas, em comparação com os dois a três dias que se fazia normalmente. No ano seguinte a mesma cordada escalou o Gasherbrum I em estilo alpino, aonde a rapidez é determinante para fazê-lo neste estilo.

Com esta ascensão a uma montanha do Himalaya por só uma cordada e com meios muito básicos, a rapidez com que subiram uma parede passou de ser criticada a elogiada pois abria uma porta de acesso a quem não tinha os recursos financeiros para pertencer a uma expedição pesada.

Mark Twight, em "Alpinismo Extremo", menciona o fator de ir mais rápido: “Velocidade é segurança... Tem todo o sentido do mundo: um escalador rápido passa menos tempo exposto ao perigo.” (p. 167)

“Ir leve e rápido supõe ter a máxima autonomia e decisão possíveis, mas sempre que decidir levar pouca comida, combustível e reduzir o material a níveis mínimos, aceita um grande risco e portanto terá que assumir uma grande responsabilidade. Se for demasiadamente leve, ou se perder uma peça de material, ou a condição climática se altere, terá que abandonar. Ou se estiver demasiadamente alto, terá que abandonar por cima o mais depressa possível. Tem que seguir movendo-se a todo custo. O movimento é teu único refúgio seguro. Se não puder cumprir teus propósitos de permanecer autônomo e em lugar disso depender da atuação ou do material de outros para triunfar ou sobreviver, deve considerar que fracassou. Tem que ser completamente consciente do risco em que põe a outros quando pede ajuda. E tem que entender que pensarão que foi tolo e de pouco juízo, ao colocar em prática a tática marginal pela qual se decidiu." (p. 123)

Este estilo, que muitas vezes chocou fortemente o alpinismo até então, está sendo adotado por muitos montanhistas. Por exemplo a rota "Nose" do El Capitán (5.13c / 10a na graduação brasileira), no Vale de Yosemite, se tornou uma meta de conseguir em menos de 24 horas desde que a cordada de Jim Bridwell, John Long e Billy Westbay o fizera em apenas 17 horas.

Há algumas semanas atrás, Ueli Steck escalava a parede norte do Eiger em menos de 3:54 horas. Agora, como no Capitán, escalar o Eiger em um só dia sem paradas é a meta a conseguir.

No Himalaya, Iñaki Ochoa de Olza fala também da rapidez na escalada:

“Num oito mil a única coisa importante é permanecer vivo. O resto é secundário. Mas como se mantém vivo, isso é sua arte. Creio que a velocidade é na maioria das vezes um meio muito seguro de escalar e que alguém é capaz de descer de um destes gigantes em 12 ou 16 horas, tem certamente melhores possibilidades de sobreviver que alguém que necessita essa quantidade de tempo para lutar com os últimos 500 metros.”

Recentemente na cordilheira andina, Pedro Hauck fez uma veloz ascensão ao Huayna Potosi (6.088 m) aonde ele e Marcio Carillo sairam da cidade de La Paz às 15:00h de sábado, fazendo a ascensão de um 6.000 e retornando à cidade às 21h de domingo.

“Nunca havia escalado uma montanha andina tão rápido! Esta ascensão expressa no Huayna Potosi até me pareceu um programa de fim de semana na Serra do Mar no Paraná, ou uma escaladinha expressa na Pedra do Baú em São Paulo.” Disse Pedro.

Outro exemplo foi a travessia Ciririca-Graciosa na Serra do Mar no Paraná, considerada distante e normalmente gastam-se 3 dias, andando uma média de 10 horas diárias. A equipe que a realizou deu início à travessia às 4:45h da madrugada, atravessaram profundos vales até chegar à distante montanha chamada Ciririca e desceram pelo outro lado, em meio à densa floresta para chegar às 21:30h do mesmo dia, completando a famosa travessia em apenas 16:45h. Aqui as vantagens claras de escapar de uma mudança brusca das condições climáticas muito instáveis da região da serra do mar e transitando por dentro de canyons e rios que sob chuva carregam tudo o que houver pela frente.

A velocidade é um estilo que está sendo seguido cada vez mais pelo mundo, sobretudo pelos montanhistas solitários, pelos de expedições pequenas e com pouco equipamento, por aqueles que sobem em condições invernais. Os grandes desafios do montanhismo de agora estão na velocidade, pois pode passar por lugares perigosos com maior segurança e consequentemente tudo o que hoje é tradicional, está sendo visto com idéia de reduzir o tempo de ascensão.

Haverá ainda quem continue permanecendo fiel a seus tempos, a seu ritmo. Quem sabe seja isto o mais interessante de um esporte como o montanhismo: cada um no seu ritmo, mas também cada ritmo tendo objetivos distintos.

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